Touca com sensores envia informações para computador, que identifica desejo do usuário
Depois que câmeras e satélites de vigilância 24 horas espalhados pelo planeta transformaram a ficção futurista em realidade, cientistas cariocas conseguiram ir além. Inventaram um sistema computacional que, com a ajuda de uma touca cheia de sensores, consegue 'vigiar' também os pensamentos de seres humanos.
O motivo da invenção é nobre: dar a pessoas com dificuldades motoras a possibilidade de se comunicar ou até de se locomover mais facilmente. Espécie de capacete mapeia atividades cerebrais, decodificadas por um programa de computador capaz de identificar se o usuário quer mexer os pés, o braço direito, o braço esquerdo ou a língua. Basta desejar o movimento que os cientistas conseguem entender.
"Já conectamos o sistema a um braço mecânico, acionado pelo pensamento. Os movimentos ainda são limitados: é possível apertar um botão para ligar algum equipamento ou chamar um médico. Isso pode ser muito útil para tetraplégicos ou portadores de esclerose múltipla", exemplifica Marco Antonio Meggiolaro, pesquisador do Centro Técnico Cientifico.
O sistema também foi adaptado para o comando de uma cadeira de rodas especial. Pensar na língua aciona comando para andar, os pés significam freio e o pensamento nos braços dá a indicação de trajeto.
A idéia já foi testada com sucesso pelos pesquisadores. Mas eles ainda buscam autorização da Anvisa e parceiros para conseguir comercializar o produto - disponível por enquanto, apenas como protótipo para estudos na universidade. A idéia é minimizar o aparelho, para que usuários precise apenas da touca e de uma pequena caixa preta decodificadora, não um computador. "Existem outros equipamentos parecidos no exterior, mas nenhum com tanta funcionalidade atingida com custo tão baixo. Ele vale R$ 1.000, provavelmente 10 a 100 vezes menos que outros no mercado", explica Marco.
