Deixar para ter filhos mais tarde
reduz as chances de engravidar e
pode aumentar os riscos para o bebê.
Nesses casos, a orientação médica adequada é fundamental.
Carreira profissional, estudos e outros aspectos socias e econômicos têm levado um número cada vez maior de mulheres a engravidar mais tarde. De acordo com as estatísticas do Registro Civil do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 26,3% das mulheres que tiveram filhos em 2008 no Brasil tinham mais de 30 anos. Em 10% dos partos as mães estavam na faixa entre 35 e 49 anos.
A estabilidade financeira e a maturidade são as vantagens da gestação tardia, mas ela também está associada a alguns riscos que precisam ser considerados. O primeiro é a dificuldade para engravidar, já que a fertilidade diminui drasticamente com a idade. Estudos baseados em levantamentos populacionais demonstram que casais saudáveis na faixa dos 20 anos, que mantêm relações sexuais frequentes, têm 20% de chances de engravidar em cada ciclo, de tal forma que, ao final de um ano, 96% terão engravidado. Esse percentual mensal cai para 10% quando a mulher tem 35 anos e diminui a cada ano depois disso.
Contudo, diferentemente do que é comum supor, não há relação direta entre os métodos de contracepção e a diminuição da fertilidade. O consumo de pílulas anticoncepcionais por um longo período pode retardar um pouco a gravidez logo que sua utilização é interrompida. Mas após alguns meses sem usá-las, as chances de engravidar são as mesmas observadas em mulheres que nunca tomaram o medicamento.
A gravidez em idade mais avançada também aumenta a probabilidade de doenças hipertensivas, diabetes gestacional, aborto espontâneo e parto prematuro. Os riscos mais significativos são as anomalias cromossômicas, responsáveis por doenças como a síndrome de Down. Elas afetam 1 em cada 283 gestações de mulheres com 35 anos, segundo cálculos baseados no sistema do Fetal Medicine Foundation, do King´s College Hospital Medical School de Londres. Na faixa dos 20 anos, a proporção é de 1 para 1.132.
Ter filhos é uma escolha pessoal que pode ser adiada até que o casal esteja seguro. Apesar dos riscos da maternidade tardia serem maiores que aqueles apresentados em mulheres mais jovens, a probabilidade é que a gravidez transcorra sem problemas e os filhos sejam saudáveis, ainda mais com o acompanhamento médico adequado, orientando a gestante sobre os exames e cuidados necessários.
Os avanços nas técnicas de reprodução assistida aumentam a chance de gravidez. Contudo, a ansiedade acaba levando muitos casais a procurar precocemente o serviço de reprodução humana. O ideal é que isso não seja feito antes de um ano de tentativas por meios naturais e orientações do ginecologista ou uroligista. Também não convém atrasar muito a investigação mais detalhada, pois com o passar do tempo a probabilidade de gravidez diminui. Vale ressaltar que a urgência de obter resultados também acaba elevando a chande de gravidez de gêmeos, o que representa riscos adicionais para a mulher. Portanto, é importante que a avaliação seja feita com calma para que seja possível escolher a técnica mais adequada.
