Denúncias de violência contra mulher
mais que quaduplicaram
Em um ano, mais que quadruplicou o número de denúncias de cárcere privado (crime em que alguém é mantido preso ilegalmente por outra pessoa) à Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180, passando de 86 para 359, em todo o País. Os denunciantes, em geral, são parentes e visinhos das vítimas e os agressores, 82,3% das vezes, são maridos, companheiros ou ex-maridos.
O balanço da Secretaria de Política para as Mulheres foi feito de janeiro até setembro, comparado ao mesmo período do ano anterior.
A secretária de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, Aparecida Gonçalves, observa que o grau de crueldade relatado vem aumentando. Talvez, supõe ela, porque há mais estímulo para a denúncia. "A visivilidade pública dos crimes e as campanhas educativas têm estimulado as pessoas a procurar o Ligue 180 e as delegacias de polícia", diz.
Cresceram também registros de ameaça (102%) e lesão corporal (234%). Para Aparecida, a grande quantidade de denúncias de ameaças, seguidas de morte, revela que os relatos das vítimas não são levados a sério pela Segurança Pública. "Os crimes de ameaça e lesão corporal são os que levam à morte, mas são os que menos têm credibilidade. Quando uma mulher chega a uma delegacia, precisa ser orientada a não ser intimidada com a possibilidade de prisão do companheiro", afirma.
