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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Uma dor sem fim


Todos os dias,
 547 brasileiros desaparecem sem deixar rastro.
Aos parentes, restam uma busca desesperada e o sentimento de impotência diante do inexplicável

Não havia nada de atípico no comportamento do analista de sistemas Mário Fernando Borges, um disciplinado professor universitário de Goiás, no dia em que ele bateu a porta de casa avisando à mãe que visitaria a namorada. Então com 37 anos, Mário nunca mais voltou. Também não foi visto por mais ninguém. Seu repentino sumiço ocorreu em dezembro de 2008. A partir daí, a família lançou-se numa busca tão desesperada quanto infrutífera. Acionou a polícia, contratou detetive particular, espalhou cartazes com a foto de Mário por toda parte - em vão. O desaparecimento segue como um completo mistério, sem nenhuma pista nem razões aparentes. Separado, o analista de sistemas tem um filho, Lucas, hoje com 10 anos, que sempre pergunta à avó: "Quando o papai vai voltar?". E chora. Irmã caçula de Mário, a administradora de empresas Patrícia Borges faz um resumo do drama vivido pela família: "Sabe uma dor que não passa? Ela é um misto de angústia, profunda tristeza e impotência diante do inexplicável".

Histórias como essa têm relevo estatísticos no Brasil, como mostra um abrangente trabalho coordenado pelo sociólogo Djaci de Oliveira, da Universidade Federal de Goiás. O levantamento, que tomou como base os registros em delegacias brasileiras, chegou a um dado espantoso: 200 000 pessoas desaparecem por ano em todo o país. Dá uma média de 547 casos por dia - grupo bastante heterogêneo em que emerge todo tipo de ocorrência. No rol das mais comuns estão aquelas de jovens que fogem de casa (muitas vezes às voltas com alto consumo de drogas e álcool), idosos que sofrem de súbita falta de memória e se põem a vagar sem norte, além das crianças que se perdem dos pais. Chamam atenção também os casos de pessoas que abandonam casa e família, não dão mais notícias e vivem mudando de endereço, até de país. Constatou-se ainda algo surpreendente: os desaparecimentos causados por atos de violência, como sequestros e assassinatos, são minoria. "Esse mosaíco quebra um mito sobre a natureza dos desaparecimentos no Brasil", avalia o professor Djaci de Oliveira.

Existe um traço em comum nas histórias que ilustram esta reportagem o verdadeiro trauma provocado nas famílias. Todas elas comparam sua agonia diante do desaparecimento de um parente à dor do luto, só que sem fim. O assunto vira obsessão e, não raro, destroça a estrutura familiar. Ainda que o tempo passe, às vezes até décadas, continua-se a alimentar a idéia de que o desaparecido baterá a porta, subitamente, da mesma maneira que se foi. Isso mesmo quando a suspeita é de que a pessoa não está mais viva.

Esse é o caso de Priscila Belfort, irmã do lutador Vitor Belfort, que foi vista pela última vez seis anos atrás, ao deixar o prédio onde trabalhava no Rio de Janeiro. Tinha 29 anos. "A policia acha que minha filha foi morta por bandidos, mas tenho a convicção do contrário: um dia ela vai me surpreender como sempre fez, e voltar", diz a mãe da moça, Maria Jovita, Ela faz coro com muitos outros na mesma situação, como lança luz a psicóloga Eliane Bernadelli, especializada em prestar assistência a famílias de desaparecidos. "A morte marca o fim de um ciclo, é uma dor que o tempo se encarrega de suavizar", explica. A incerteza sobre ela, por sua vez, leva a uma angústia permanete - e inesgotável."

As deficiências estatísticas nesse campo não permitem saber, exatamante, quantos dos desaparecimentos são de fato esclarecidos no Brasil - mas há indicativos que eles não são poucos. Uma recente pesquisa conduzida pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), ligado ao governo estadual do Rio de Janeiro, traz números que, afirmam os especialistas, refletem a realidade nacional. O levantamento, que se baseia em ocorrências registradas em delegacias fluminenses em 2007, mostra que, em 72% das vezes o desaparecido foi localizado em menos de um mês. Os restantes 28% compreendem histórias que levam anos para ter um desfecho, quando o têm  - em 6% dessas ocorrências, a pessoa desaparecida estava morta. De todos, os casos de mais difícil resolução são aqueles em que um adulto desaparece por vontade própria. Essas pessoas têm um perfil psicológico parecido, conforme já foi mapeado. "São muito frágeis emocionalmente, incapazes de lidar com crises profundas, senão por meio de um ruptura drástica", diz o psicanalista Joel Briman. As que regressam precisam restabelecer os laços com os familiares, gradativamente. É um processo delicado para todos - e vagaroso.

É nesse estágio que se encontra a designer Ingrid Boldoke, 57 anos, que passou uma década à procura do irmão, o técnico em engenharia mecânica Jorge Gustavo, 60. Em 1997, ele sumiu repentinamente da casa onde morava, na cidade de Pontal no Paraná, e nunca mais deu notícias. Exatos dez anos depois Ingrid recebeu um telefonema de Mato Grosso do Sul, no qual um homem dizia estar ao lado de seu irmão. Sofrendo de grave depressão, sem emprego e maltrapilho. Jorge vagava por quatro estados, muitas vezes a pé e sem rumo. Dormia na rua ou em quartos emprestados. Ele perdeu a noção de tempo e da própria dignidade, até um dia cair em si. "Da mesma maneira que me senti compelido a ir embora, quis voltar para a família", relata. Hoje tratando da saúde, Jorge vive com Ingrid e está em busca de emprego. Ela diz: "Meu irmão está tentando reconstruir a vida dele e eu, a minha".

Ao contrário de outros países, não existe no Brasil uma rotina de investigação para esses casos nem treinamento específico para os policiais - que muitas vezes se limitam a registrar a ocorrência. À exceção dos desaparecimentos de menores, em que a ação policial imediata é determinada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, nenhuma lei brasileira trata do assunto. Outro obstáculo diz respeito à falta de um bom cadastro nacional (o primeiro do gênero, sob a alçada do Ministério da Justiça, surgiu há menos de um ano e restringe-se a pouco mais de 500 casos). O Brasil contrasta aí com países como os Estados Unidos - exemplar nessa área. Registram-se lá 700 000 casos por ano. As informações são consolidadas num gigantesco banco de dados do FBI, em que consta até o DNA dos desaparecidos. Quando uma criança some, um sistema nacional está preparado para alertar todos os aeroportos, rodoviárias e postos de polícia americanos. Na ausência de algo parecido, resta às famílias brasileiras tomar a dianteira nas buscas, como fez o engenheiro paulista Antônio Carlos Ratto, 58 anos. Desde que seu filho Lucas desapareceu repentinamente, em 2008, ele não passa um dia sem fazer uma varredura em ONGs e sites especializados. Já espalhou cartazes com a foto do garoto, contratou detetive particular e prometeu 60 000 reais para quem o encontrar. Afirma o engenheiro: " Não vou sossegar enquanto não achar o meu menino".

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Doações ao INCA


Festa de Fim de Ano

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) já está recebendo - até 12 de novembro - doações de brinquedos novos para a festa de Natal das crianças em tratamento de câncer.

A Central de Doações do INCA voluntário fica na Rua Washington Luis, 35, Sala: 171, Centro de Rio.

O horário de funcionamento é de segunda a sexta, das 8h às 16h, sem agendamento.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Maternidade e maturidade: quais os riscos?


Deixar para ter filhos mais tarde
reduz as chances de engravidar e
pode aumentar os riscos para o bebê.
Nesses casos, a orientação médica adequada é fundamental.

Carreira profissional, estudos e outros aspectos socias e econômicos têm levado um número cada vez maior de mulheres a engravidar mais tarde. De acordo com as estatísticas do Registro Civil do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 26,3% das mulheres que tiveram filhos em 2008 no Brasil tinham mais de 30 anos. Em 10% dos partos as mães estavam na faixa entre 35 e 49 anos.

A estabilidade financeira e a maturidade são as vantagens da gestação tardia, mas ela também está associada a alguns riscos que precisam ser considerados. O primeiro é a dificuldade para engravidar, já que a fertilidade diminui drasticamente com a idade. Estudos baseados em levantamentos populacionais demonstram que casais saudáveis na faixa dos 20 anos, que mantêm relações sexuais frequentes, têm 20% de chances de engravidar em cada ciclo, de tal forma que, ao final de um ano, 96% terão engravidado. Esse percentual mensal cai para 10% quando a mulher tem 35 anos e diminui a cada ano depois disso.

Contudo, diferentemente do que é comum supor, não há relação direta entre os métodos de contracepção e a diminuição da fertilidade. O consumo de pílulas anticoncepcionais por um longo período pode retardar um pouco a gravidez logo que sua utilização é interrompida. Mas após alguns meses sem usá-las, as chances de engravidar são as mesmas observadas em mulheres que nunca tomaram o medicamento.

A gravidez em idade mais avançada também aumenta a probabilidade de doenças hipertensivas, diabetes gestacional, aborto espontâneo e parto prematuro. Os riscos mais significativos são as anomalias cromossômicas, responsáveis por doenças como a síndrome de Down. Elas afetam 1 em cada 283 gestações de mulheres com 35 anos, segundo cálculos baseados no sistema do Fetal Medicine Foundation, do King´s College Hospital Medical School de Londres. Na faixa dos 20 anos, a proporção é de 1 para 1.132.

Ter filhos é uma escolha pessoal que pode ser adiada até que o casal esteja seguro. Apesar dos riscos da maternidade tardia serem maiores que aqueles apresentados em mulheres mais jovens, a probabilidade é que a gravidez transcorra sem problemas e os filhos sejam saudáveis, ainda mais com o acompanhamento médico adequado, orientando a gestante sobre os exames e cuidados necessários.

Os avanços nas técnicas de reprodução assistida aumentam a chance de gravidez. Contudo, a ansiedade acaba levando muitos casais a procurar precocemente o serviço de reprodução humana. O ideal é que isso não seja feito antes de um ano de tentativas por meios naturais e orientações do ginecologista ou uroligista. Também não convém atrasar muito a investigação mais detalhada, pois com o passar do tempo a probabilidade de gravidez diminui. Vale ressaltar que a urgência de obter resultados também acaba elevando a chande de gravidez de gêmeos, o que representa riscos adicionais para a mulher. Portanto, é importante que a avaliação seja feita com calma para que seja possível escolher a técnica mais adequada.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

IBGE está atrás dos "sumidos"


Quem não fica em casa deve telefonar para 0800 e, assim, facilitar a conclusão do Censo

A menos de 10 dias para o fim das entrevistas do Censo do IBGE, cerca de 10% da população do País ainda não foram recenseados. O maior entrave é encontrar moradores em residências ocupadas por uma única pessoa ou um casal. Para atingir o maior número de brasileiros, o instituto está pedindo a quem ainda não respondeu os questionários que ligue para 0800-7218181 para facilitar o trabalho de supervisão e conclusão.

Em todo o País, o IBGE já recenseou 91% da população estimada, contabilizando 174.771.468 habitantes. No estado do Rio de Janeiro, 89% da população está na base de dados, totalizando 14.230.141 fluminenses.

Segundo o chefe da Unidade do Rio do IBGE, Romualdo Rezende, o que tem dificultado o trabalho principalmente na capital é o pequeno número de pessoas por domicílio. Muitos só têm um morador. Mesmo com o retorno do recenseador, é difícil encontrar alguém em casa. Sua previsão, entretanto, é de concluir a coleta até o dia 27.

MORADORES REVISITADOS

Os supervisores receberão dados de quem ligar para o atendimento do instituto e agilizar as entrevistas. "A pessoa precisa pelo menos deixar o endereço, que ele será revisitado. Não é necessário, mas, pode informar o número de celular. Ele não será utilizado para outros fins", afirma Rezende, que também aponta o furto e o roubo de PDAs como um dos motivos para atrasos no Censo.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Atendendo pedidos: SMA volta a falar sobre Tecnologia

Deu a louca no "Street View"
Usuários do serviço do Google que permite visualização de ruas reúnem imagens curiosas

Os internautas não param de se divertir com imagens curiosas geradas pelo serviço "Google Street View", ferramenta inaugurada no fim do mês passado, que permite a visualização de ruas de cidades do Rio, São Paulo e Minas Gerais. Alguns usuários criaram até blogs com uma coletânea dos flagrantes mais curiosos.

Entre páginas mais famosas que reúnem imagens estranhas da ferramenta está o misto de blog e álbum de fotos "Tô no Google, Mãe".

As imagens variam entre cenas engraçadas de falta de educação pública - como homens coçando as partes íntimas - a flagrantes curiosos, como um sujeito observando uma casa de shows eróticos. Há, ainda, fotos mais chocantes, como as de prostitutas, bêbados na sarjeta e até um suposto assalto. A cena de um homem que parece estar invadindo uma residência pela janela teria sido registrada em São Paulo. "O primeiro assalto do Google Street View Brasil", diz o blog.

Um dos flagrantes registrados no Rio está o que aparenta ser a abordagem de policiais a um homem sem camisa na Avenida Dom Hélder Câmara, na Zona Norte.

Várias das cenas são acompanhadas de comentários bem-humorados dos autores do blog. Embaixo de uma das imagens, por exemplo, que mostra um homem ao celular enquanto ditige uma viatura da polícia de São Paulo, o "Tô no Google, Mãe", não perdoou. "Será que foi multado? Será?", questionou.