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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Remédios podem prejudicar bebês


Uso prolongado de analgésicos na gravidez não faz bem

Um estudo feito por cientistas da Dinamarca, Finlândia e França mostrou que o uso prolongado de paracetamol e outros analgésicos durante a gravidez podem trazer riscos à saúde de bebês meninos. Isso porque, eles perceberam que os filhos de mães que tomavam muito remédio nasciam com testículo ectópico, quando o testículo fica escondido ou fora do lugar.

Essa doença está associada à infertilidade e ao câncer no fim da vida.

De maneira geral, a orientação médica para mulheres grávidas é que, quando possível, evitem tomar analgésicos.

O novo estudo levou especialistas a pedir que mais pesquisas sobre o assunto sejam feitas. Enquanto isso, eles recomendaram às mulheres grávidas, no entanto, que o uso de analgésicos para uma dor de cabeça ocasional não deve causar mal ao bebê.

O serviço nacional de saúde da Inglaterra aconselha que mulheres evitem tomar remédios durante a gravidez, mas permite o uso de paracetamol em doses pequenas e durante períodos curtos para aliviar a dor.

Os pesquisadores concluíram que as mulheres que usaram mais de um analgésico juntos apresentaram sete vezes mais riscos de ter filhos com esse problema.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Homens sofrem mais com o álcool


Pesqisa mostra que cabeça deles é sensível à bebida

Uma pesquisa feita pelas universidades americanas de Yaleme Columbia acaba de mostrar que os homens têm mais tendência a desenvolver o alcoolismo do que as mulheres.

Ao todo, foram avaliados 42 jovens, metade homens, metade mulheres, que nunca sofreram dependência. A cada um deles foi dada uma bebida alcoólica e outra não alcoólica. Logo depois de cada dose, um aparelho de tomografia media a diferença na liberação de substâncias ligadas a sensação de bem-estar na cabeça dos jovens.

Os pesquisadores notaram que, logo após o gole de álcool, os homens recebiam mais substância ligada ao prazer que as mulheres. Perceberam também que, nos homens, esse aumento na quantidade liberada ocorria justamente no centro de recompensas do cérebro, área ligada ao desenvolvimento do vício do prazer.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Dor crônica é doença. E precisa ser tratada.


Equivocadamente aceita como
 consequência natural de um trauma,
 de uma doença ou do envelhecimento,
 a dor, quando persistente,
 pode se tornar a própria doença.

De forma geral, a dor é um sinal de alarme do organismo. Quando há algo errado, ele reage disparando um estímulo para o sistema nervoso central, dando o aviso. Mas um alarme só e bom se pode ser desligado. No caso da dor, isso se faz corrigindo a origem do problema. Dores - mesmo as agudas, causadas por lesão, cirurgia ou traumatismo - tem começo, meio e fim. Se isso não acontece, a dor vira crônica, torna-se a própria doença. Dores diárias ou intermitentes, que duram de três a seis meses ou mais, são consideradas crônicas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 30% das pessoas sofrem de dor crônica. O mal pode estar associado a processos dolorosos crônicos, como hérnia de disco, artrite, artrose e câncer, dentre outros. Mas também pode ser gerado ou intensificado como uma espécie de curto-circuito no sistema de alarme do corpo, que cria uma memória da dor, fazendo com que ela ocorra independentemente daquilo que a ocasionou.

A dor crônica afeta a qualidade de vida das pessoas, atrapalha ou impede atividades rotineiras e pode desencadear problemas como depressão, ansiedade e estresse. Também pode prejudicar os sistemas imunológico, cardíaco e respiratório e produzir alterações na pressão arterial e na capacidade motora. Além disso, quem tem dor crônica tende a não se alimentar bem, dorme mal e prejudica suas relações sociais. São condições que propiciam novas doenças.

O que fazer? O primeiro passo é rejeitar a idéia de que sentir dor é normal porque faz parte de um processo crônico, de cura ou de envelhecimento. Todo o tipo de dor - aguda ou crônica - requer atenção médica. Quando não pode ser curada, a dor pode ser tratada. Quando não pode ser eliminada, pode ser minimizada.

Mesmo no meio médico, a questão da dor é às vezes relevada - seja porque ela é considerada inerente à doença ou ao procedimento realizado, ou não há causa evidente para sua manifestação, ou até porque a dor é subjetiva, varia de paciente para paciente. Ainda que não se identifique uma causa, a atitude correta é: se a pessoa diz que tem dor, a dor existe. Alguns hospitais, além de contar com uma equipe especializada para tratar do problema, reconhecem a sua importância incluindo a dor como o quinto sinal vital, monitorado ao lado de pressão arterial, pulso, respiração e temperatura. Com base em uma escala, o próprio paciente atribui um grau à intendidade da sua dor para que a equipe possa programar os melhores cuidados para cada caso.

É ampla a gama de recursos para o tratamento. Dentre os medicamentos, estão os analgésicos, anti-inflamatórios, antidepressivos e opiodes (que, embora provoquem temor em leigos, não geram dependência quando adequadamente ministrados). Somam-se a eles técnicas de fisioterapia, laser, acupuntura, massagens e outras. Nos dias de hoje, só uma coisa pode fazer uma pessoa continuar sofrendo com a dor: a crença de que ela é simplesmente sintoma de algum outro problema e, portanto, normal. Sentir dor não é normal. E de maneira crônica, é doença - que precisa ser tratada como qualquer outra.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O radar das manchas


Um novo aparelho faz o diagnóstico do câncer de pele na hora, sem a necessidade do uso de bisturi

Todos os anos, 120 000 brasileiros recebem o diagnóstico de câncer na pele. Como tumor maligno, maiores são a chance de cura quanto mais precocemente a doença for descoberta. Para identificar o câncer de pele. os médicos vão em busca de manchas - de bordas irregulares, cores variadas, que coçam ou sangram, e costumam aparecer de uma hora para a outra. O exame definitivo para determinar se uma lesão é de fato maligna exige uma pequena cirurgia. O paciente recebe anestesia local e o médico extrai o tecido suspeito. Invariavelmente, a incisão tem de ser fechada com pontos - e alguns deixam marcas para sempre. O resultado da biópsia costuma sair em dois dias - período sempre de muita angústia e medo. Algumas pessoas têm de passar por esse tormento não uma, mas várias vezes, ao surgimento de cada nova mancha duvidosa. De cada dez análises feitas, no entanto, apenas uma resulta positiva para câncer. Ou seja 90% dos casos, o corte, a cicatriz e a ansiedade poderiam ter sido evitados. Está para chegar ao Brasil um aparelho capaz de fazer o diagnótico do câncer de pele sem a necessidade de bisturi. Trata-se de um microscópio que, permite ao médico enxergar a estrutura das células da pele.

Aprovado em 2008 nos Estados Unidos e batizado comercialmente de VivaScope, o microscópio fornece uma imagem de alta definição, até 1 000 vezes maior que a original, e com um foco muito preciso. Por esse motivo, os médicos o chamam de confocal. Ele consegue ir a até 5 milímetros de profundidade, rastreando a epiderme e a derme, camadas em que se formam quase 100% dos cânceres cutâneos. Cada mancha leva, em média, vinte minutos para ser analisada. Além de evitar biópsias desnecessárias, quando o caso é de câncer, o novo aparelho torna as cirurgias para remoção do tecido doente mais eficientes. Alguns especialistas não pretendem abandonar de vez as biópsias. "Não há dúvida, contudo, de que, com esse microscópio, as indicações de cirurgia diminuirão", diz Adilson Costa, professor de dermatologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Há pelo menos uma dezena de cânceres de pele. O microscópio confocal aplica-se a três deles, que representam quase a totalidade dos casos. Os médicos estão bastante entusiasmados com os avanços que o novo aparelho proporciona para o diagnóstico precoce e o tratamento de melanoma. Com 5% das ocorrências da doença, ele ó mais perigoso dos tumores. "Apesar de surgir na camada mais superficial da pele, o melanoma se multiplica de forma rápida e, em dois anos, pode chegar aos vasos linfáticos e entrar em processo de metástase, quando há muito pouco a fazer", diz a dermatologista Gizele Rezze, do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo, centro de referência para o tratamento do câncer. A única quimioterapia disponível funciona para 20% dos doentes. Quando o diagnóstico é feito precocemente, as chances de cura beiram os 100%.

Foi o que salvou a publicitária Debora Ochoa. Em 2008, aos 35 anos, graças ao alerta de uma amiga, ela começou a prestar atenção àquela "pinta estranha" no braço esquerdo. Com menos de 1 centímetro de diâmetro, cor escura e bordas irregulares, a mancha era um princípio de melanoma. Agora, com o olho treinado, toda vez que encontra um sinal suspeito, Debora procura o dermatologista. De lá para cá, removeu outras dez manchas. Três delas eram melanomas iniciais. "Até hoje não me acostumei com essas extrações", diz Debora. "Além do pavor de agulhas, sofro muito com a espera do resultado."

Do melanoma ao mais comum dos cânceres de pele (o carcinoma basocelular), esse tumor está basicamente associado à exposição solar. Apenas 10% dos melanomas, por exemplo, são hereditários. A radiação de sol provoca uma mutação no DNA dos melanócitos, as células responsáveis pela produção de melanina, o pigmento natural da pele. Pesquisas mostram que pessoas de pele branca, de olhos e cabelos claros, com tendência a desenvolver manchas ou que não se bronzeiam são as mais suscetíveis à doença. A melhor arma contra o câncer de pele continua a ser a velha (e boa e interminável) combinação de protetor solar, sombra das 10 da manhã às 4 da tarde, chapéu, guarda-sol e óculos escuros. Mantenha o foco nessas providências e você não precisará submeter-se ao confocal.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A SMA entende sua dor

O desconsolo da perda

O maior desconsolo do ser humano é a perda do ser amado. Só superamos a tristeza quando entendemos que perder não é sinômino de não ter. Que quem já morreu já não está no mundo, mas pode existir em nós. Fazer o luto é entender que a morte não anula a existência e que, sem estar, o morto ainda está. Isso requer tempo. Tanto mais tempo quanto menos ritualizada é a despedida.

Nas sociedades em que existe o culto ao ancestral, a morte não deixa quem perde inteiramente desprotegido como na nossa sociedade. Entre nós, evita-se falar da morte e não se tem tempo para a tristeza, o que nos expõe mais ainda aos efeitos negativos dela. Nada é pior do que a tristeza recalcada, de ação sorrateira e consequências imprevisíveis. Quem não chora o seu morto e não é consolado pelos vivos fica sozinho com a perda. Num certo sentido, é marginalizado. Por outro lado. quem não tem tempo para o sofrimento alheio não pode ter relações de amor ou de amizade. E, assim, isola-se também.

Fonte: Betty Milan
Psicanalista e escritora