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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Saiba mais sobre: a Compaixão


Dicionário sucinto da bioquímica da Compaixão

Assim como o ciúme, a compaixão é uma emoção exclusivamente humana. Ela envolve as estruturas cerebrais que nos permitem reconhecer o sofrimento em outras pessoas, por meio de expressões faciais e corporais e nuances no tom da voz - conjunto definido pelos especialistas como "contágio emocional". Diz a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro: "Nosso cérebro atua como se fossémos nós a sofrer". Além das áreas associadas à afetividade, a compaixão requer a participação de processos cognitivos intrincados, indispensáveis para que nos coloquemos no lugar do objeto de condolência, sem que tenhamos necessariamente vivido a sua situação. "Por causas de tais processos, quem sente compaixão experimenta ainda o ímpeto de agir e amenizar o sentimento alheio", diz Jorge Moll, neurologista do Instituto D´Or de Pesquisa Ensino do Rio de Janeiro.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Regime, Ginástica e Cama


A falta de sono adequado é, definitivamente, um fator de risco isolado para o ganho de peso

A matemática da perda de peso é simples. O consumo de calorias deve ser inferior ao total de energia gasta pelo organismo. Nos últimos cinco anos, porém, uma série de estudos devem ser incluídos na equação do emagrecimento - o sono. Como a má alimentação e o sedentarismo, uma sucessão de noites maldormidas pode condenar ao fracasso qualquer luta contra a balança. A pesquisa mais recente e uma das mais intrigantes sobre o assunto foi publicada na revista científica americana Annals of Internal Medicine. Conduzida por médicos da Universidade de Chicago, ela demonstrou que, em períodos de pouco sono, a queima de gordura corporal é 55% menor e a perda de massa magra, 60% maior. "Perder massa magra significa perder músculos, e isso é ruim porque leva a desaceleração do metabolismo e faz com que a pessoa granhe peso com mais facilidade", diz o endocrinologista Walmir Coutinho, presidente eleito da Associação Internacional para o Estudo da Obesidade. Em outras palavras: dormir pouco favorece o efeito sanfona, a grande questão de quem tenta se livrar dos quilos em excesso.

São vários os mecanismos que associam a privação de sono ao ganho de peso. Dormir pouco aumenta a síntese de grelina, hormônio responsável por estimular o apetite. Os participantes do estudo da Universidade de Chicago tiveram os níveis de grelina aumentados de 75 nanogramas por litro de sangue para 84 nanogramas por litro nas duas semanas em que dormiram apenas cinco horas e meia por noite. Nesse período, eles também relataram sentir mais fome. O coordenador do estudo, o professor Plamen Penev, lembra que o estrago provocado pela falta de sono poderia ter sido ainda maior se os participantes tivessem tido a liberdade de comer o que quisessem - na pesquisa, eles eram obrigados a consumir 1450 calorias por dia. "A grelina é tão importante no processo de emagrecimento que o efeito das cirurgias de redução de estômago se deve, em parte, à retirada de uma porção do estômago chamada fundo gástrico, onde está localizada a fábrica de hormônio do apetite", diz a endocrinologista e nutróloga Ellen Simone Paiva. Privar o organismo do repouso noturno adequado provoca, ainda, a elevação dos níveis de cortisol, o hormônio do stress por excelência. Quando há uma produção excessiva de cotisol, a tendência é que o insone perca massa magra e acumule gordura, sobretudo na região abdominal. Além disso, em quantidades elevadas, o hormônio do stress induz a busca por alimentos altamente calóricos, como doces e frituras. Quem já passou uma noite em claro sabe: no dia seguinte, sempre bate aquela vontade incontrolável de devorar o pacote de salgadinhos ou se empanturrar de chocolate. É uma espécie de válvula de escape do organismo para os momentos de tensão. "Quando os níveis de grelina e cortisol sobem, isso significa, literalmente, juntar a fome com a vontade de comer", diz o endocrinologista Alfredo Halpern, da Universidade de São Paulo.

Comprometer o repouso noturno leva também a diminuição da quantidade de duas substâncias essenciais para alinhar a silhueta - a leptina eo GH. Conhecida como o hormônio da saciedade, a leptina é produzida pelas células adiposas e tem como principal função avisar o cérebro de que é chegada a hora de parar de comer. Normalmente, a leptina é liberada quando as reservas de energia do organismo já estão preenchidas. O problema é que o sono inadequado leva a uma baixa na produção do hormônio da saciedade. Ou seja, o insone crônico apresenta certa dificuldade para entender quando deve cruzar os talheres. A falta de GH, o hormônio do crescimento, por sua vez, dificulta a queima de gordura pelo organismo e facilita a perda de massa muscular. Há que levar em conta ainda que a sensação de cansaço provocada pelas noites em claro faz com que a pessoa tenda a se tornar menos ativa fisicamente e, assim, carregue mais um fator de risco para o excesso de peso - o sedentarismo.

Não só uma sucessão de noites mal dormidas é o fator de risco para o ganho de peso, como o excesso de gordura corporal contribui para o aparecimento de um dos distúrbios do sono mais comuns, a apneia, caracterizada pela interrupção da respiração durante o repouso noturno. Oito de cada dez vítimas da doença estão acima do peso. Ou seja, dormir mal engorda - e o acúmulo de tecido adiposo piora a qualidade do sono. Coloque, então, na sua lista de prioridades dormir de sete a oito horas por noite - e bem.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Secretaria de Saúde cria medidas para atrair Sexo Masculino


Homens cuidam pouco da saúde

Cuidar da saúde é uma das últimas preocupações dos homens cariocas. Um levantamento feito pela Secretaria Municipal de Saúde mostra que a grande maioria foge das consultas médicas de rotina e só procura ajuda quando está com problemas mais sérios. Dos cerca de dez milhões de atendimento realizados de janeiro a julho, só 12% dos pacientes eram do sexo masculino (na faixa de 20 a 59 anos). Quando incluídos os idosos, o índice de homens que procuram os serviços de saúde de forma preventiva não passa dos 25%.

Para mudar o quadro, a secretaria vai criar a Gerência de Saúde do Homem com o objetivo de aumentar o interesse dos homens pela saúde. O horário de atendimento das Clínicas de Família será ampliado até as 20h para que os trabalhadores tenham mais chances de conseguir uma consulta.

- Vários fatores contribuem para que o homem não procure atendimento. Tem a questão do horário, o pensamento masculino de que nada de ruim vai acontecer. Também existe o temor de que, se for ao médico, vai achar algum problema - diz Andrea Castro, que ficará a frente da nova gerência.

Acompanhar a mulher

Segundo o levantamento, as especialidades mais procuradas pelos homens são angiologia, clínica médica, pneumologia, psiquiatria, fisioterapia, terapia ocupacional e psicologia. A secretaria quer conquistar mais pacientes masculinos para consultas de cardiologia, afinal, as doenças de coração são uma das principais causas de morte.

- Já percebemos que a implantação de academias de ginástica em unidades de saúde tem feito com que homens se interessem mais pelos cuidados com a saúde e procurem atendimento preventivo. A gerência agora vai procurar novas formas de atrair os pacientes do sexo masculino - diz o secretário de Saúde, Hans Dohmann.

Outra medida será estimular o homem que acompanha a companheira grávida no pré-natal a também fazer exames de rotina.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Quem não se comunica...


Ninguém mais acredita que falar bem é um dom.
É condição para mandar o recado certo, administrar crises e, claro, não perder dinheiro.
Para ajudar os línguas-presas (ou soltas) existe o media training.

Neymar arrogante, Neymar provocador, Neymar indisciplinado? Logo, logo a diretoria do Santos espera poder dizer que seus problemas com o ídolo do clube acabaram. Ele prometeu se comportar melhor e não dizer besteiras? Que nada, a intervenção superior vai bem além. Neymar vai contar com curso intensivo de media training. Altos executivos, políticos e celebridades, principalmente as deslocadas rápido demais para o mundo da fama, são o público base das aulas e simulações ministradas por profissionais do ramo que ensinam como se comportar diante dos meios de comunicação e, assim, evitar conhecidas e lastimáveis mancadas. Nem é preciso lembrar como posturas e declarações estapafúrdias prejudicam a imagem e, consequentemente, os negócios. Mas, caso alguém ainda não tenha percebido, o presidente do Santos, Luis Alvaro de Oliveira, explica. Neymar, diz ele, foi instado a pedir perdão, em público e com a imprensa presente: "Alivia o erro. Também serve para recompormos o personagem Neymar e assim melhorar as possiblidades de negociação da imagem dele. Em miúdos, de conseguir patrocínio". Ou, no caso, em graúdos.

Os percalços da fama - ou infâmia - súbita valem tanto para Tony Hayward, o ex-presidente da BP, que diante do desastre do vazamento de petróleo na plataforma continental americana reclamou dizendo que queria sua vida de volta, quanto para os mineiros soterrados a 700 metros no Chile. Faltando semanas para o resgate que os traria do mundo das sombras para a exposição máxima, los 33, como são chamados, já estavam fazendo seu media training. "Eles já nos disseram que não querem  falar, por exemplo, sobre suas famílias, mas só sobre esse tempo debaixo da terra", disse o psicólogo chefe da equipe de resgate, Alberto Iturra. "Vamos ajudá-los a explicar isso aos jornalistas." Escolher o foco das declarações (válido só para heróis nacionais como os mineiros, não para uns e outros flagrados no roubolation), dar respostas pertinentes e polidas e passar uma imagem de autocontrole mesmo diante de situações delicadas são os fundamentos do media training. Apesar do público alvo de alto calibre, seus ensinamentos podem ser aplicados a situações do dia a dia das pessoas comuns, como na hora de fazer uma entrevista de emprego, apresentar um trabalho na escola.

Uma situação-limite muito citada como exemplo de media training foi a reação da Gol Linhas Aéreas ao acidente de 2006 em que 154 pessoas morreram em colisão com um jatinho sobre a selva. A diretoria da Gol vinha recebendo orientações profissionais, da MVL, para a eventualidade de uma tragédia desde a criação da empresa, em 2001. Um Manual de Crise com 3 000 páginas explicativa, entre outras coisas, perguntas inevitáveis e respectivas respostas, o modelo de comunicado à imprensa e até o formato do site da empresa  a partir da notícia do acidente. "Empresas de aviação sabem que algum dia uma de suas aeronaves vai cair. Por isso, têm de estar preparadas". explica David Barioni Neto, na época vice-presidente técnico da Gol. Na primeira entrevista coletiva, Barioni e Constantino Júnior, presidente da Gol, ambos de terno preto, estavam preparados para as perguntas - e as respostas. Quantas pessoas morreram? Ainda não sabemos, mas estamos todos concentrados na busca pela aeronave. Qual o nome dos passageiros que estavam no avião? Essa informação será dada primeiro às famílias. Como ficarão as indenizações? Não é hora de falar em dinheiro.

"Hoje em dia, não existe mais controle sobre as informações. Só o que se pode fazer é administrá-las em favor de sua reputação", diz Yara Peresm sócia da CDN, outra das grandes empresas do gênero no Brasil. O curso da CDN para executivos é dado em um dia e dura nove horas. Eles aprendem o básico sobre como funciona uma redação, quais as informações que os repórteres precisam e a melhor maneira de se posicionar diante das câmeras. Em seguida, cada participante simula uma entrevista para a avaliação final. "A idéia central é que o aluno busque um jeito de falar que lhe traga conforto. É assim que ele consiguirá comunicar as coisas mais complicadas sem se atrapalhar", explica Yara. Na MVL, psicólogos, fonaudiólogos e até professores de teatro estão na equipe de treinamento. Martin Glogowsky, presidente da Fundação Cesp, conta que lá aprendeu, por exemplo, a preparar antecipadamente a mensagem que quer passar em uma entrevista. "Tem que ser apenas uma. Falo dela no começo da conversa, no fim e, no meio dou pinceladas", resume.

A tática das pinceladas não é lá de grande ajuda na hora de apagar incêndios de maiores proporções. O envolvimento do ator Fábio Assunção com drogas é um exemplo de crise brava bem gerida. "A Globo o manteve na casa, falou pouquíssimo sobre o assunto e, nas vezes em que se pronunciou, deixou claro que iria ajudá-lo", conta um assessor que acompanhou de perto o caso. "Fábio é um valor da marca Globo, como a Xuxa e o Faustão. Malcuidada, aquela crise poderia se voltar contra a emissora." Acostumado a lidar com celebridades, Edson Giusti, dono de uma empres a de comunicação, conta que um dos conselhos que dá a atrizes ávidas por aparecer em capas de revistas é: "Parem de falar que estão apaixonadas e que vão se casar no mês que vem. Depois o casamento não acontece, os repórteres fazem perguntas e vocês se sentem perseguidas". Foi Giusi quem ajudou uma conhecida primeira-dama estadual a falar em público: "Sugeri que, ao começar a discursar, ela dissesse: ´Gente, desculpe, estou nervosa´. Isso cria empatia com o público e torna a fala mais confortável". Entre as crises que exigem gerenciamento rápido, os casos de paternidade tardiamente descoberta são clássicos do repertório de trapalhadas. "Aí não tem conversa. Enquanto agaurda o resultado do teste de DNA, o sujeito tem de agir como se fosse o pai, Tem de falar aquelas coisas bonitas, que a criança merece amor, que eles vão ser amigos no futuro", prega o jornalista e media trainer Nei Loja. Mas, ao contrário de um notório senador, nada de chamar de "a criança", como se não tivesse nada a ver com o assunto. Pega muito, muito mal.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Seu filho sofre maus tratos?


Descubra se os pequenos são vítimas da violência

Nem sempre é possível passar o dia inteiro com os filhos. Você e seu companheiro trabalham fora e precisam deixar os pequenos para alguém cuidar ou as crianças ficam na escola. Longe dos seus olhos, como saber se o seu filho é vítima de maus tratos?

As crianças não mudam de comportamento sem motivo. Portanto, o primeiro passo é estar sempre atento a qualquer sinal de que algo não vai bem. O bebê costuma chorar, ficar inquieto e ter o sono alterado. Quando ele cresce, a falta de apetite, nota baixa na escola, agressividade, medo e dificuldade de ser relacionar podem indicar algum problema.

Perceba também se a criança rejeita qualquer toque, mesmo que seja um carinho, e se sente medo da sua ausência. Desconfie também de manchas roxas e machucados frequentes.

Converse bastante com seu filho e sempre pergunte como foi o seu dia. Deixe claro qual o comportamento esperado de uma babá, de um professor, de um padastro, de uma madrasta... E chame atenção para o que não é permitido. Assim, seu filho pode se  sentir mais à vontade para falar com você sobre tudo que ele vivencia.

Lembre-se que nem sempre a violência deixa marcas e não dar atenção ao seu filho também é uma forma de violência.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A SMA entende sua dor

O desconsolo da perda

O maior desconsolo do ser humano é a perda do ser amado. Só superamos a tristeza quando entendemos que perder não é sinômino de não ter. Que quem já morreu já não está no mundo, mas pode existir em nós. Fazer o luto é entender que a morte não anula a existência e que, sem estar, o morto ainda está. Isso requer tempo. Tanto mais tempo quanto menos ritualizada é a despedida.

Nas sociedades em que existe o culto ao ancestral, a morte não deixa quem perde inteiramente desprotegido como na nossa sociedade. Entre nós, evita-se falar da morte e não se tem tempo para a tristeza, o que nos expõe mais ainda aos efeitos negativos dela. Nada é pior do que a tristeza recalcada, de ação sorrateira e consequências imprevisíveis. Quem não chora o seu morto e não é consolado pelos vivos fica sozinho com a perda. Num certo sentido, é marginalizado. Por outro lado. quem não tem tempo para o sofrimento alheio não pode ter relações de amor ou de amizade. E, assim, isola-se também.

Fonte: Betty Milan
Psicanalista e escritora