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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Saiba mais sobre: a Alegria


Dicionário sucinto da bioquímica da Alegria

Há alegrias e alegrias - e, para cada uma delas, uma química diferente. A que se manifesta sob a forma de explosão e nos deixa mais eufóricos e falantes, como quando comemoramos o gol do nosso time do coração, é regida pela dopamina. A bola na rede ativa o sistema de recompensa do cérebro, causando a liberação dessa substância neurotransmissora e, consequentemente, uma ótima sensação. A alegria é instantânea, mas dura pouco. Para conter o entusiasmo, e evitar um colapso, o organismo logo reduz a produção de dopamina. A alegria mais serena, aquela que nos invade quando a vida se apresenta tranquila, sem sobressaltos, é obra dos opoides, espécie de analgésico natural associado ao bem-estar. As duas substâncias fazem parte também do processo de estimulação e realização sexual. O antes, o durante e o ápice do sexo devem-se principalmente, à dopamina. O depois (a etapa "foi bom, meu bem?"), em que se relaxa, aos opiodes.

Alegria demais, porém, é doença. Conhecida no jargão médico como mania, ela pode ser a fase eufórica do transtorno bipolar. Nesse estado, os pacientes se põem em risco. Tendem a comprar complsivamente, a fazer sexo inseguro com estranhos e a exagerar no consumo de álcool. Além de psicoterapia, o tratamento quase sempre inclui o uso de medicamentos - em geral, estabilizadores de humor e antipsicóticos que tentam normalizar (ou seja, reduzir, no caso dos bipolares) a ação de dopamina no sistema de recompensa.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Viver para Vencer


Um excelente documentário inglês ajuda a demonstrar por que chegou a hora de parar de explicar Ayrton Senna por meio de sua morte

JFK, John Fitzgerald Kennedy, foi o mais jovem presidente americano, eleito um dos grandes personagens políticos de seu país, católico em uma nação de maioria protestante, contraponto perfeito à gerontocracia soviética personificada em Nikita Kruschev, e tinha ao lado uma primeira-dama fascinante. Mas, quando se fala em JFK em primeiro plano, sempre aparecem os eventos do dia 22 de novembro de 1963, quando ele foi assassinado, em Dallas. Francisco Alves, Carlos Gardel, Jim Morrison, Patsy Cline, os Mamonas Assassinas, Kurt Cobain e tantos outros artistas de todas as eras tiveram a imagem, por décadas, atrelada às circustâncias trágicas de sua morte. Está-se fazendo a mesma coisa com Ayrton Senna. Chega, Injustamente. A carreira do talvez maior piloto de Fórmula 1 de todos os tempos é uma celebração de vida na busca da perfeição, na adesão aos mais altos padrões de segurança nas pistas, na intimidade com a ciência dos motores e da eletrônica embarcada. O encontro com a morte na curva Tamburello, no circuito de Ímola, na Itália, em 1º de maio de 1994, não foi a hora da verdade para um piloto temerário que preparou a si mesmo e ao mundo para o momento de purificação, sublimação e purgação. A morte de Senna foi acidente, um acontecimento casual, fortuito, inesperado - evitável.

O documentário inglês Senna - O brasileiro, o Herói, o Campeão, dirigido por Assif Kapadia com estreia prevista para 12 de novembro em 120 salas, escapa da moldura de explicar o ídolo pela sua morte. Mas não totalmente.A fita se deixa encantar pelo "viva velozmente e mora cedo", na frase (incompleta) dita pelo ator John Derek no filme O Crime Não Compensa, de 1949. Incompleta sim, pois ela continua: "...e deixe um belo cadáver". O rosto de Senna ficou monstruosamente desfigurado pelo inchaço do cérebro, atingido pela barra de direção quebrada no acidente. O documentário de Kapadia exibe os elementos necessários para desmontar a tese absurda de que Senna tocava sempre além dos limites, buscando a morte conceito pelo qual se enamora espiritualmente. Não. "O Ayrton tem um pequeno problema: pensa que não pode se matar", diz a meio caminho do documetário o francês Alain Prost, tetracampeão do mundo, o arqui-inimigo que duelou com o brasileiro no fim dos anos 80. Senna responde, olhos baixos, o ríctus típico da introspecção que parecia timidez, mas não era: "O fato de eu ter fé em Deus não quer dizer que eu seja imune. Tenho tanto medo quanto qualquer outra pessoa de me machucar".

Em uma das cenas, Senna contra-ataca com irritação o grande ex-campeão Jackie Stewart, o "escocês voador", que trabalhava para um emissora de televisão. Stewart embute em uma pergunta a acusação de que Senna deixava seu carro esbarrar demais nos bólidos dos adversários. "Você é um piloto experiente, deveria saber que isso só ocorre porque estamos sempre querendo vencer", retruca Senna, indignado. O brasileiro foi o maior recordista de pole positions até seu recorde cair, pelas mãos do alemão Michael Schumacher. Senna era obcecado por sair na frente. Não apenas para aumentar suas chances de ganhar as corridas. Dizia Senna: "Correr sozinho lá na frente é sempre mais seguro".

Com vasto material cedido pela família de Senna, e por Bernie Ecclestone, o mandachuva dos direitos de televisão das provas, o diretor Kapadia comprometeu-se a não fazer um documentário sobre os três últimos dias de vida do piloto. "Seria interessante, mas muito óbvio", diz o roteirista Manish Pandey. "Teríamos as imagens de sexta-feira, sábado e domingo e provavelmente usaríamos um flashback para explicar por que o personagem está ali. Faria isso com entrevistas entremeadas, e certamente o filme ficaria muito forte." Desse ponto de vista, as cenas iniciais, com o Grande Prêmio de Mônaco de 1984, debaixo de chuva, na pequena escuderia Toleman, são proféticas e têm mais valor explicativo da carreira do personangem do que a escapada fatal da Williams na curva Tamburello. Sob a chuva, nas ruas do princiapado na "corrida mais nobre da F1", Ayrton Senna parecia apenas mais un novato impávido disposto a qualquer loucura para ser notado. "Mais um Pryce", desdenhou o esnobe belga diretor de prova e ex-piloto de F1 Jacky Ickx, referindo-se ao galês Tom Pryce, um alucinado especialista em pistas molhadas, terror dos veteranos, que disputou quatro temporadas e morreu ao atropelar um fiscal de corrida em 1977 no GP da África do Sul. Ao volante da Toleman, usando um colete ortopédico para tornar suportáveis as dores nas costas produzidas pela instabilidade notória do carro, não estava mais um Tom Pryce, mas um piloto virtuoso, calculista, concentrado, estudioso e predestinado, um sátiro moderno, meio homem, meio máquina - Ayrton Senna da Silva, nome que marcaria para sempre o mundo do esporte de competição.

Amarrado por meio de entrevistas do próprio brasileiro, que parece narrar sua vida, coladas a cenas de corrida e dos bastidores da F1, o filme não é uma radiografia tola. Há nuances de cinza em Senna, especialmente quando ele trata de pôr Prost para fora da pista, no Grande Prêmio do Japão em 1990, como vingança do que ocorrera no ano anterior, de modo a garantir o título. Salta da tela sua liderança entre os pilotos, em imagens inéditas, quando reclama em uma reunião de Jean-Marie Balestre, o ranzinza e autocrático francês que dirigia a Federação Internacional de Automobislismo e nunca escondeu a predileção pelo conterrâneio Prost (e que em 1989 obrigou Senna a se retratar depois de ter ausado o cartola de má-fé ao puni-lo em decorrência de uma manobra arriscada). Há cores épicas ao tratar da vitório no GP do Brasil em 1991, quando o piloto rodou as derradeiras voltas apenas com a sexta marcha, porque o câmbio quebrara.

Senna é um belo documentário que foge da armadilha barata de mergulhar na vida pessoal do piloto, até porque seu cotidiano fora das pistas e longe da família era animado como um parafuso enferrujado. Atêm-se ao perfecionismo de uma homem que estudava o que fazia justamente porque sabia o risco da morte, sempre presente na Fórmula 1. Descobria erros de mecânica e aeroodinâmica, desafiava os computadores e os engenheiros e estava sempre certo. Foi traído pela fatalidade, pela impossibilidade de ter solda malfeita na barra de direção da Williams, a seta certeira de Páris guiada pelos deuses vingativos rumo ao calcanhar de aquiles. A barra se rompeu em Ímola, arremessou o carro de Senna contra o muro e parte dela trespassou o cérebro do piloto. Ayron Senna tinha 34 anos.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Mais registro de cárcere privado


Denúncias de violência contra mulher
mais que quaduplicaram

Em um ano, mais que quadruplicou o número de denúncias de cárcere privado (crime em que alguém é mantido preso ilegalmente por outra pessoa) à Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180, passando de 86 para 359, em todo o País. Os denunciantes, em geral, são parentes e visinhos das vítimas e os agressores, 82,3% das vezes, são maridos, companheiros ou ex-maridos.

O balanço da Secretaria de Política para as Mulheres foi feito de janeiro até setembro, comparado ao mesmo período do ano anterior.

A secretária de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, Aparecida Gonçalves, observa que o grau de crueldade relatado vem aumentando. Talvez, supõe ela, porque há mais estímulo para a denúncia. "A visivilidade pública dos crimes e as campanhas educativas têm estimulado as pessoas a procurar o Ligue 180 e as delegacias de polícia", diz.

Cresceram também registros de ameaça (102%) e lesão corporal (234%). Para Aparecida, a grande quantidade de denúncias de ameaças, seguidas de morte, revela que os relatos das vítimas não são levados a sério pela Segurança Pública. "Os crimes de ameaça e lesão corporal são os que levam à morte, mas são os que menos têm credibilidade. Quando uma mulher chega a uma delegacia, precisa ser orientada a não ser intimidada com a possibilidade de prisão do companheiro", afirma.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Você tem a bactéria que causa gastrite?


Realize o teste abaixo e descubra se você possui a bactéria que causa gastrite

  1. Você tem enjoo e dor de cabeça quando come?
    1. Sim
    2. Não
  2. Não tolera a mesma quantidade de álcool de antes?
    1. Sim
    2. Não
  3. Já teve, ou tem, úlcera no duodeno?
    1. Sim
    2. Não
  4. A parte alta do abdômem está mais distendida?
    1. Sim
    2. Não
  5. Passou a ter mau hálito?
    1. Sim
    2. Não
  6. Arrota muito após as refeições?
    1. Sim
    2. Não
  7. Você tem má digestão?
    1. Sim
    2. Não
RESULTADO:
Maioria SIM: Você pode ter H. Pylori, bactéria que se aloja no estômago e causa gastrite, úlcera e câncer. Quase todas as pessoas têm a bactéria, já que ela está presente em qualquer alimento e na água, porém só algumas a retém no corpo, causando azia, má digestão e enjoo. Por isso, é importante fazer o diagnóstico precoce e eliminá-la com antibióticos específicos.

O teste acima foi elaborado por José Penteado, especialista em gastroenterologia.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

SMA ajuda a exclarecer: Exame de Próstata

Ainda tabu para muitos homens, exame de próstata avança no País
Levantamento do Ministério da Saúde aponta que exames de PSA passaram de 1 milhão para 3 milhões em seis anos

O Ministério da Saúde registra que, entre 2003 e 2009, o número de testes para detectar problemas na próstata triplicou. O total de PSA - exame que verifica a dosagem do Antígeno Prostático Específico, proteína importante para a exclusão de possível tumor maligno na glândula - passou de 1 milhão para 3 milhões. Política de saúde exclusiva para o público masculino contribuiu para a adesão à prevenção. Mas muitos homens ainda não se submeteram ao procedimento, por puro desconhecimento ou preconceito.

A próstata é uma glândula com tamanho e forma de noz, situada debaixo do colo da bexiga. Ela circunda a uretra, duto pelo qual a urina é expelida, no ponto de onde a uretra sai da bexiga. A próstata produz um líquido que é eliminado durante o ato sexual junto com os espermatozóides. O exame preventivo, assim como ocorre com mulheres, no caso das mamas, ajuda a combater possível câncer.

Na maioria dos indivíduos, o tumor cresce lentamente e sem progressão para outras partes do corpo. A doença maligna da próstata atinge, anualmente segundo especialistas mais de 700 mil homens no mundo causando 250 mil mortes. O tratamento deve começar precocemente nos homens de até 70 anos. A partir dessa idade, a opção de vigilância se as condições permitirem pode ser avaliada pelo médico.

A Política Nacional de Saúde do Homem completou um ano em agosto de 2010. O governo repassa a cada município R$ 75 mil para o financiamento de ações e serviços relacionados à saúde do homem - 70 cidades, incluindo as capitais, já aderiram às medidas. O Brasil é o pioneiro na América Latina na implementação de programa com esse perfil.

Outra constatação do Ministério da Saúde é que, em sete anos, a quantidade de vasectomias realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) cresceu 79% - cirurgias saltaram de 19.103 em 2003, para 34.144, em 2009, quando foi registrado também aumento do valor pago por procedimentos ambulatoriais (de R$ 123,18 a R$ 306,47) e 20% do valor por operação feita com internação (de R$ 255,39 para R$ 306,47).

domingo, 12 de setembro de 2010

Reprodução SMA da palestra da Jill Taylor

Uma aula de esperança, trabalho e superação.
Vítima de um AVC, a neurocientista norte-americana conta
como conseguiu superar os traumas da doença.

O encerramento do V Fórum da Longevidade ficou a cargo da neurocientista Jill Taylor, que deu uma verdadeira lição de vida ao relatar a sua história de superação iniciada há 13 anos. Aos 37 anos, um coágulo no hemisfério esquerdo (associado à razão) do cérbro causou um AVC, que afetou a sua memória, os movimentos e a fala. Assim, ela teve de contar apenas com o hemisfério direito (associado ao pensamento abstrato e a criatividade) para dar impulso ao processo de recuperação que partiu da estaca zero.

Após uma arriscada cirurgia e muita terapia, aliadas à dedicação dos amigos e, principlamente, de sua mãe, a neurocientista conseguiu se recuperar totalmente, voltou a dar aula na Faculdade de Medicina da Universidade de Indiana e faz palestras sobre a sua impressionante recuperação.

Ela diz que entre as principais mudanças que a doença causou em sua vida está um novo olhar sobre a vida. "Agora gasto meu tempo fazendo coisas que vão ajudar outras pessoas, em vez de focar toda a minha energia apenas na carreira, como eu fazia antes do AVC."

Sobre a relação entre o que acontece no cérebro das pessoas e a longevidade, Jill Taylor explicou que o organismo humano tem 50 trilhões de células com várias funções, que vão se degenerando conforme envelhecemos. O importante é estimular as células para que substituam a função daquelas que morrem. "A longevidade e envelhecer com saúde têm a ver com as decisões que tomamos durante toda a nossa vida."

A neurocientista finalizou sua palestra com importantes dicas de conduta: "Respeite o poder de cura do sono, dormindo bem; desafie seus sistemas cerebrais (o racional e o emocional) diariamente; lembre-se que a vida acontece no momento presente e escolha concientemente onde vai depositar a sua energia; concentre-se no que é positivo; lembre-se de ser paciente; comemore cada pequena ação; preste atenção à sensação causada pelo estresse e lembre-se de agradecer ao levantar e ao deitar por mais um dia de vida.". As descobertas de Jill Taylor também abrem espaço para um poderoso antídoto contra doenças como o mal de Alzheimer, que afeta milhares de idosos ao redor do mundo.