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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Regime, Ginástica e Cama


A falta de sono adequado é, definitivamente, um fator de risco isolado para o ganho de peso

A matemática da perda de peso é simples. O consumo de calorias deve ser inferior ao total de energia gasta pelo organismo. Nos últimos cinco anos, porém, uma série de estudos devem ser incluídos na equação do emagrecimento - o sono. Como a má alimentação e o sedentarismo, uma sucessão de noites maldormidas pode condenar ao fracasso qualquer luta contra a balança. A pesquisa mais recente e uma das mais intrigantes sobre o assunto foi publicada na revista científica americana Annals of Internal Medicine. Conduzida por médicos da Universidade de Chicago, ela demonstrou que, em períodos de pouco sono, a queima de gordura corporal é 55% menor e a perda de massa magra, 60% maior. "Perder massa magra significa perder músculos, e isso é ruim porque leva a desaceleração do metabolismo e faz com que a pessoa granhe peso com mais facilidade", diz o endocrinologista Walmir Coutinho, presidente eleito da Associação Internacional para o Estudo da Obesidade. Em outras palavras: dormir pouco favorece o efeito sanfona, a grande questão de quem tenta se livrar dos quilos em excesso.

São vários os mecanismos que associam a privação de sono ao ganho de peso. Dormir pouco aumenta a síntese de grelina, hormônio responsável por estimular o apetite. Os participantes do estudo da Universidade de Chicago tiveram os níveis de grelina aumentados de 75 nanogramas por litro de sangue para 84 nanogramas por litro nas duas semanas em que dormiram apenas cinco horas e meia por noite. Nesse período, eles também relataram sentir mais fome. O coordenador do estudo, o professor Plamen Penev, lembra que o estrago provocado pela falta de sono poderia ter sido ainda maior se os participantes tivessem tido a liberdade de comer o que quisessem - na pesquisa, eles eram obrigados a consumir 1450 calorias por dia. "A grelina é tão importante no processo de emagrecimento que o efeito das cirurgias de redução de estômago se deve, em parte, à retirada de uma porção do estômago chamada fundo gástrico, onde está localizada a fábrica de hormônio do apetite", diz a endocrinologista e nutróloga Ellen Simone Paiva. Privar o organismo do repouso noturno adequado provoca, ainda, a elevação dos níveis de cortisol, o hormônio do stress por excelência. Quando há uma produção excessiva de cotisol, a tendência é que o insone perca massa magra e acumule gordura, sobretudo na região abdominal. Além disso, em quantidades elevadas, o hormônio do stress induz a busca por alimentos altamente calóricos, como doces e frituras. Quem já passou uma noite em claro sabe: no dia seguinte, sempre bate aquela vontade incontrolável de devorar o pacote de salgadinhos ou se empanturrar de chocolate. É uma espécie de válvula de escape do organismo para os momentos de tensão. "Quando os níveis de grelina e cortisol sobem, isso significa, literalmente, juntar a fome com a vontade de comer", diz o endocrinologista Alfredo Halpern, da Universidade de São Paulo.

Comprometer o repouso noturno leva também a diminuição da quantidade de duas substâncias essenciais para alinhar a silhueta - a leptina eo GH. Conhecida como o hormônio da saciedade, a leptina é produzida pelas células adiposas e tem como principal função avisar o cérebro de que é chegada a hora de parar de comer. Normalmente, a leptina é liberada quando as reservas de energia do organismo já estão preenchidas. O problema é que o sono inadequado leva a uma baixa na produção do hormônio da saciedade. Ou seja, o insone crônico apresenta certa dificuldade para entender quando deve cruzar os talheres. A falta de GH, o hormônio do crescimento, por sua vez, dificulta a queima de gordura pelo organismo e facilita a perda de massa muscular. Há que levar em conta ainda que a sensação de cansaço provocada pelas noites em claro faz com que a pessoa tenda a se tornar menos ativa fisicamente e, assim, carregue mais um fator de risco para o excesso de peso - o sedentarismo.

Não só uma sucessão de noites mal dormidas é o fator de risco para o ganho de peso, como o excesso de gordura corporal contribui para o aparecimento de um dos distúrbios do sono mais comuns, a apneia, caracterizada pela interrupção da respiração durante o repouso noturno. Oito de cada dez vítimas da doença estão acima do peso. Ou seja, dormir mal engorda - e o acúmulo de tecido adiposo piora a qualidade do sono. Coloque, então, na sua lista de prioridades dormir de sete a oito horas por noite - e bem.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Restrição a cheque deve ser avisada


Comerciantes devem informar
 meios de pagamento aceitos nas lojas.
Sem aviso, o consumidor pode escolher o que lhe convier

Os comerciantes podem se recusar a receber cheques ou mesmo cartões como forma de pagamento, mas isso só deve ocorrer se a restrição estiver bem clara ao consumidor da loja, por meio de aviso escrito na entrada ou se o cliente for informado verbalmente de imediato. Esse direito à informação clara e precisa está previsto no Código de Defesa do Consumidor. Se o comerciante não age dessa forma, o consumidor não está obrigado a honrar o pagamento da forma exigida.

"Ele deve informar a restrição a certos meios de pagamento previamente e de forma adequada, para que não pairem dúvidas", afirma Carlos Alberto Nahas, assistente de direção do Procon/SP.

O mesmo vale para cartões de débito e de crédito. Segundo Nahas, a questão é em relação ao direito à informação. "O comerciante deve informar nas portas principais do estabelecimento. Nos cardápios, além dos preços e o aviso sobre não obrigatoriedade de pagamento de gorjeta, deve estar também o meio de pagamento aceito", avisa.

De qualquer forma, avisando ou não o cliente antes, o estabelecimento também não pode restringir o pagamento com cartão de crédito a determinados produtos, como alguns fazem em relação à bebida alcoólica.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Na automedicação, bom-senso é o melhor dos remédios.


Consumo de medicamentos
 por conta própria exige cuidados.
Em maior ou menor grau, todas as drogas podem oferecer riscos.

Não é exagero dizer que a maioria das pessoas fez ou fará uso de um remédio por conta própria. Trata-se de um comportamento observado em todo mundo e até justificável em algumas situações. Seria praticamente impossível recorrer ao médico ou bater à porta de uma instituição de saúde no caso de uma dor de cabeça eventual ou uma indisposição estomacal, por exemplo. A própria Organização Mundial de Saúde reconhece a automedicação como um complemento aos sistemas de saúde. O problema é que os limites do consumo racional são frequentemente ultrapassados e as consequências podem ser desastrosas.

Não há, no Brasil, dados oficiais sobre o número de pessoas que se automedicam. Mas há indicadores de alerta, como o levantamento do Sistema Nacional de Informações Tóxico Farmacológicas - SINITOX de 2007, que mostrou que a ingestão indevida de medicamentos foi a principal causa dos casos de intoxicação registrados, respondendo por cerca de 30% do total.

Intoxicações são apenas um exemplo do universo de riscos. Dentre eles, estão o mascaramento dos sintomas, com o consequente retardo na identificação da doença, as dosagens insuficientes ou excessivas, os efeitos adversos e colaterais desnecessários e o desconhecimento de possíveis interações com outros medicamentos.

Até medicamentos de venda livre (sem tarja), como analgésico, antiácidos, antitérmicos e antigripais, podem trazer riscos. Por exemplo: em crianças com algumas doenças virais, como gripe e catapora, o ácido acetilsalicílico pode precipitar a síndrome de Reye, um tipo de doença fulminante no fígado, fatal na maioria dos casos. Às vezes, a pessoa nem sabe que está ingerindo uma droga em excesso, pois combina vários medicamentos que têm o mesmo princípio ativo. O paracetamol, por exemplo, está presente em remédios para gripe, reumatismo, cólicas e enxaqueca.

No caso dos medicamentos de tarja preta, a automedicação é minimizada graças ao sistema de controle de venda, com exigência e retenção da receita médica. Mas o maior perigo está nos medicamentos de tarja vermelha. Apesar de a exigência legal de apresentação da prescrição médica no ato da compra, são facilmente adquiridos sem a necessidade de nenhuma receita ser mostrada. Nessa categoria estão os antibióticos, cujo uso indiscriminado pode trazer consequências para o paciente e para a sociedade, uma vez que o consumo sem critério favorece a resistência microbina, anulando a eficácia das drogas. Atualmente, a Anvisa estuda normas mais rígidas para a venda desses medicamentos.

Mas a prática de automedicação já diminuiria com o mero cumprimento das regras atuais para as drogas de tarja vermelha. Para as de venda livre, é praticamente impossível estabelecer regras. O consumidor deve, no mínimo, ler a bula e, em caso de dúvidas ou persistência dos sintomas, procurar o médico. E pessoas que já fazem uso regular de algum medicamento devem ter cuidado redobrado para evitar reações causadas pela interação do remédio prescrito com o tomado por conta próproia. Acima de tudo, deve imprerar o bom-senso - este sim o melhor dos remédios e sem contraindicações.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Receita de antibióticos só vai ter validade por 10 dias


Se remédio não for comprado neste prazo,
paciente deverá ir ao médico de novo

As receitas médicas que deverão ser usadas para a compra de antibióticos terão validade de apenas 10 dias, segundo as novas regras da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para conter o uso abusivo deste tipo de medicamento. As normas entram em vigor daqui a cerca de um mês (30 dias após a publicação em Diário Oficial). Prescrições emitidas antes do início das regras valerão por 30 dias.

Receitas serão emitidas pelo médico em duas vias: a primeira ficará com a farmácia e a segunda, carimbada, com o paciente. O sistema é o mesmo usado na venda de remédios de tarja preta, como antidepressivos. Embora a tarja continue vermelha, antibióticos ganharão na embalagem a inscrição "Venda sob prescrição médica - Só pode ser vendido com retenção da receita". As medidas serão válidas para as mais de 90 substâncias antimicrobinanas com registros no País. Porém, amoxilina, azitromicina, cefalexina e sulfametoxazol terão regras mais rígidas. Além da receita, a venda delas será registrada no SNGPC (Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados), que registra toda transação de remédios controlados no País.

Sobre a adaptação das farmárcias e drogarias, a Anvisa informou que estas terão 30 dias. Todas deverão estar cadastradas no SNGPC e terão 180 dias para fazer a adesão.

CASOS EM MINAS GERAIS

As medidas entram em vigor para tentar conter a bactéria KPC, que segundo o Ministério da Saúde se tornou resistente devido ao uso indiscriminado de antibióticos pela população. Já há casos em estados como Paraíba, Espírito Santo, Paraná, São Paulo, Góias e Santa Catarina, além do Distrito Federal. De acordo com a Anvisa, Minas Gerais teve 12 casos entre julho de 2009 e julho deste ano. Entretanto, a Secretária de Saúde do Estado nega o registro.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Informativo SMA: Sarcopenia


Sarcopenia atinge 30% dos homens e das mulheres
Perda de massa muscular está associada  à redução na força e potência entre os 50 e 70. Consequência da idade tem tratamento.

Pouca gente sabe o nome e o significado, mas conhece os efeitos da sarcopenia: a perda de massa muscular, conforme se ganha idade. Isso acontece, mesmo que a pessoa se exercite. O predomínio de sarcopenia, depende da definição usada, varia de 10% a 30% em homens na faixa dos 60 anos e em mulheres na faixa dos 50 anos. A causa da diminuição da massa magra está na perda de massa muscular. Há uma pequena mudança na massa magra não muscular.

Entre os 20 e 80 anos, a diminuição de massa muscular do esqueleto equivale a 35% a 40%. A perda que ocorre com o envelhecimento está associada à redução na força e potência muscular entre os 50 e 70 anos de idade, devido, principalmente, à perda de fibra muscular e à atrofia seletiva das fibras. A perda de força muscular é ainda maior depois dos 70 - 28% dos homens com 74 anos não conseguem levantar sobre suas cabeças objetos com peso maior que 25 quilos.

A farmacêutica da Rede de Fármácias de Manipulação Officelab, Fernanda Chalabi, explica que quem se exercita e vive de forma saudável vivencia perda mais branda.: "É um processo próprio do envelhecimento. De desgate do organismo. A absorção de nutrientes fica prejudicada. É uma condição normal do idoso".

Segundo a farmacêutica, pesquisas recentes demonstram que as proteínas do whey (obtida no soro do leite) favorecem o processo de redução da gordura corporal. Há várias formas de combater a sarcopenia. Uma delas é uma alimentação rica em proteína. "A proteína é a matéria prima do músculo. O idoso vai perdendo a força e cai, por fraqueza muscular. Hoje, utiliza-se essa fonte de aminoácidos para enfrentar o problema", destaca.

A professora Camila Lopes, reponsável pela academia popular da Unisuam em Irajá, afirma que qualquer atividade física é importante para evitar a redução da massa muscular. "Principalmente os exercícios que trabalham especificamente força. Os melhores resultados são atingidos com a musculação. Os exercícios beneficiam o equilíbrio e a vitalidade", defende.